Cuidado com a vida




            Enquanto nos assustamos com o número de mortos em decorrência do rompimento da barragem da mineradora Vale, em Brumadinho-MG ou com o incêndio no alojamento de jogadores de base do Flamengo em Vargem Grande-RJ, aqui em Goiás, por falta de fiscalização laboral e conscientização nas relações trabalhistas, vem a óbito muito mais pessoas.
     O Anuário Brasileiro de proteção 2017, aponta que acidentes de trabalho ocorridos entre 1990 a 2015 em Goiás mataram 2.775 trabalhadores, em média foram 111 por ano. Assim, no período citado a cada três anos ocorria uma tragédia equivalente à de Minas Gerais, porém silenciosa.
            Alguns empresários alegam que o trabalhador se recusa a utilizar os equipamentos de segurança (IPIs) e que não seguem as Normas Regulamentadoras de segurança, conforme foram treinados, daí os acidentes. Isto evidencia que o cuidado com o outro  passa necessariamente pelo cuidado que todos devem ter com si mesmo. 
            Ter cuidado com a vida é ter atenção em todos os contextos. É o mesmo que obedecer a sinalização de velocidade no trânsito, usar camisinha ao praticar sexo com pessoas desconhecidas; avisar aos colegas de trabalho dos riscos de uma tarefa insegura, entre outras coisas, que requer nosso zelo em prol de uma vida plena.
            Investir em prevenção não pode ser considerado algo dispendioso, pois não é. Por exemplo, um trabalhador orientado e que utiliza seus IPIs terá menos doenças ocupacionais e sofrerá menos acidentes, isto significa custo menor para a previdência, baixa rotatividade na empresa, menor gastos com treinamento etc.
            No Brasil, concebemos um Estado com vários órgãos de fiscalização. Entre eles, trabalho, trânsito e meio ambiente. Entretanto, se observarmos o mundo com os olhos da inteligência, tanto trabalhadores quanto empregadores notariam que o ser humano é frágil, efêmero e precário, carecendo de proteção individual e coletiva para que tragédias silenciosas ou espetaculares não fiquem ressoando dolorosamente na alma.
            Este texto é direcionado a toda e qualquer pessoa humana que possa compreender que uma sociedade deve ter como alicerce o cuidado com a vida de todos. Colocar a vida humana em primeiro lugar não afeta os atuais parâmetros da economia política capitalista. Pode-se ganhar muito dinheiro e mesmo assim fazer a prevenção do que realmente tem valor: a existência.
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Elizabeth Venâncio
Filósofa,  mestra em comunicação;

             

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